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2 Quando os repórteres começaram a bater na minha porta: eram abutres em busca de carniça. Mas a carniça só podia estar em outro lugar: Meu pai era um homem justo e honrado, não poderia de um rompante ter feito o que lhe acusavam de ter feito... Mas depois vieram denúncias semelhantes de batalhas mais antigas. E era claro que cada vez a crueldade aumentava, a constante: a marca na testa com a adaga da família. Revisei os diários da família e a marca era prática antiga.
3 Meu pai era um monstro! Minha família era de monstros! Por que não estava vivo para enfrentar a justiça? Que queime no inferno! Voltasse vivo, mas castrado e agora encarasse suas glórias!
4 O nome da família, outrora altivo, agora jaz na lama e de lá não vai sair. Se eu construir um hospital para vítimas de estupro, será que me esquecem? Dividir minha fortuna com as vítimas de meu pai, terei paz? Me jogar aos pés de Moema? — mas aí jogo as luzes sobre mim e este momento é do Rei Julio V e sua Esposa, que optou por estar em segundo plano neste momento.
5 Não há o que fazer... eu para sempre serei o filho do monstro... não sou monstro, mas o herdeiro deles... Cada vez que saio à rua vejo os olhares, percebo os cochichos. A qualquer momento vai aparecer alguém para me esbofetear. Pensei em me enterrar, pensei em...
6 Amanhã se efetiva a minha baixa do exército. Aceitei um emprego na República de Kjrozia, é uma ilha pobre e devastada pela guerra civil que finalizou há cinco anos, ainda há muito para um engenheiro fazer. É isto que eu desejo, é isto que eu quero, é isto que vou fazer: ser mais um engenheiro. Uma república nova que venceu a aristocracia quer saber de títulos nobiliárquicos, mas sei que volta e meia os fantasmas do passado voltarão.
7 ...Chegou a minha vez, espero ter forças para fazer a cerimônia sem chamar mais a atenção para mim...

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