A Personagens
A.1 Moema, cidadã de Fontoura, serva, trabalhadora dos jardins do Palácio Real e exprostituta, 1,55m, 24 anos, pele cor pardoclaro, rechonchuda mas não gorda, sobrancelhas espeças, na têmpora esquerda, na horizontal, tem uma cicatriz reta, não muito grande, feita à faca, que ela tentava esconder com os cabelos curtos.
A.2 Júlio,, príncipe herdeiro de Fontoura. 1,70m, 20 anos, magro, não atlético, desde criança apático e evita contato social.
A.3 Bruno, príncipe de Fontoura, 1,75m, 19 anos, irmão de Júlio, atlético e marcial.
A.4 Júlio IV, rei de Fontoura, 1,70m, 42 anos, gordo mas não obeso.
A.5 Alice, rainha de Fontoura, 1,75m, 40 anos, rechonchuda mas não gorda.
A.6 Njeri, princesa de Serrazul, 1,85m, 18 anos, corpo esbelto e imponente, cor da pele negra.
A.7 Tendai VII, rei de Serrazul, 1,80m, 40 anos, corpo atlético e musculoso, cor da pele negra.
A.8 Dandara, Rainha de Serrazul, 1,90m, 36 anos, corpo esbelto e imponente, cor da pele negra.
1 O Príncipe Apático
1.1 Fontoura era um reino como outros reinos e repúblicas do continente. Impostos eram coletados, estradas patrulhadas, as estações do ano seguiam seu curso previsível e eventuais guerras com os vizinhos.
1.2 No palácio, sob abóbadas que ecoavam silêncios vazios, a maior preocupação real não era com invasões ou revoltas, mas com a apatia crônica e congênita do herdeiro. Julio, o Príncipe Herdeiro, movia-se pelos corredores indiferente ao convívio com a corte e às aulas que o preparariam para reinar, na verdade fazia isto desde que nascera. A própria Rainha ficaria aliviada se ele fosse de farras, beberrão, devasso ou brigão. Mas só se via apatia por parte do Príncipe.
1.3 Certa tarde, após terminar uma aula de musculação, Júlio, ainda vestindo o uniforme dos exercícios, resolveu caminhar pelo vasto jardim que cercava o palácio.
1.4 Entre árvores e canteiros, notou uma jovem serva lutando para plantar uma grande palmeira.
1.5 Júlio se aproximou e ofereceu ajuda. A jardineira, assustada, mas pensando que ele fosse um servo de alta categoria, aceitou a ajuda.
1.6 O trabalho de Júlio foi simples: sustentou a palmeira em pé enquanto ela colocava o substrato no berço e, ao final, ela fixou um tutor para mantê-la ereta.
1.7 O príncipe notou por baixo do lenço que cobria a cabeça dela, do lado esquerdo da face da serva, uma cicatriz reta, feita à faca, que ela tentava esconder com os cabelos.
1.8 Quando terminaram, Júlio perguntou:
— Qual teu nome?
— Moema, e o seu?
— Meu nome é Julio.
1.9 Depois se despediram; a serva voltou para suas tarefas e Júlio retornou ao palácio, caminhando pelos jardins e pelos corredores um pouco mais agitados do palácio.
2 Galhos
2.1 Três dias depois, Júlio voltou ao jardim e encontrou Moema carregando galhos que haviam caído durante a tempestade da noite anterior. Ele se aproximou para ajudar, dividindo o trabalho de recolher os galhos com ela.
2.2 Suas roupas ficaram sujas, mas isso era esperado.
2.3 Ao entardecer, quando o trabalho terminou, Júlio acompanhou Moema até o refeitório dos servos. Moema sabia que a presença de um mordomo chamaria atenção, mas não podia fazer nada quanto a isso; Júlio, inclusive, fez questão de cear com os servos do jardim. Ele entrou na fila, recebeu sua porção de ração e percebeu que a comida quase não tinha gosto; de tempero, apenas o sal; mas comeu fartamente enquanto conversava com Moema. Após a refeição, se despediu e se retirou.
2.4 Assim que ele se afastou do refeitório, os servos começaram a rir e cochichar, chamando Moema de “princesa”.
— Princesa? Eu? Quero distância, só estou aqui pelo dindin! — exclamou ela, indignada.
Um dos servos explicou:
— Ora, é que aquele rapaz… não é um servo qualquer e menos ainda um nobre: é o Príncipe Julio!
2.5 Uma mistura de surpresa, desagrado e medo invadiu Moema. Sentiu-se enganada e ficou preocupada com as consequências. Naquela noite, deitou-se inquieta e dormiu apreensiva.
3 O Segredo
3.1 Na tarde seguinte, quando Júlio apareceu, ela então avançou contra Júlio perguntando:
— É verdade? Você… você é mesmo o príncipe?
Júlio, espantado com a agressividade dela, um pouco sem graça, respondeu:
— Sou!
— Você mentiu para mim! Já seria complicado falar com um mordomo, o que dirá com um nobre, um príncipe ou seja lá o que você é.
Júlio respondeu:
— Não menti, apenas não disse meu título. Você é que pensou que eu fosse um mordomo.
3.2 Depois disto Moema respirou fundo, tomou mais coragem e o levou até um caramanchão no jardim. Não era um lugar escondido, mas lá havia privacidade.
3.3 Lá Moema começou ainda com voz forte e irritada:
— Você escondeu teu segredo, mas eu, agora, já vou te contar o meu segredo do qual não falo há anos — Moema então disse com voz sussurrada e tímida:
— Antes de trabalhar aqui no palácio… por uma semana… eu fui puta.
3.4 Júlio ficou assustado, com raiva e nojo; saiu velozmente do local.
3.5 Não caminhou cem metros quando percebeu que, talvez, nunca mais encontraria outra pessoa tão sincera: sem ser provocada, sem subterfúgios e tão prontamente contou tal segredo... seria muito mais fácil esconder, negar, mentir.
3.6 Então voltou e encontrou Moema caída no chão, chorando. Júlio ajoelhou-se para ficar à altura dela, tomou-lhe as mãos e disse com a voz trêmula:
— Perdão… me perdoe…
3.7 Então a abraçou, e as lágrimas vieram. Choraram juntos, e naquele instante Júlio quebrou dois grandes tabus de sua vida: sempre lhe haviam ensinado que um príncipe não chora e que nunca um príncipe deve pedir perdão.
4 Aulas
4.1 No dia seguinte Julio pediu para Moema:
— Me ensine jardinagem.
Ela respondeu que era apenas uma auxiliar, mas o Príncipe insistiu. Moema percebeu que Julio queria uma desculpa para ficar com ela. Aceitou, mas fez uma exigência.
4.2 Julio pensou em pagamento, mas era além disto:
— Na minha aldeia, se um adulto pede pra aprender algo, tem o dever de ensinar algo.
4.3 Júlio hesitou:
— Mas eu não sei nada…
Moema replicou com firmeza:
— Todo mundo sabe alguma coisa.
4.4 Moema perguntou quais aulas ele recebia no palácio. Júlio respondeu:
— História antiga e moderna, Matemática, Esperanto, Filosofia, Estratégia, Etiqueta, Geopolítica, História das casas reais, Musculação, Dança…
— O que é mesmo Geopolítica? Gostei do nome — comentou Moema.
4.5 — Geopolítica é o estudo das relações entre países, territórios e populações, e como fatores geográficos, econômicos e políticos influenciam essas relações — explicou Júlio.
4.6 — Pois aí está: Você me ensinará essa Geopolítica! — disse Moema de forma imperativa.
5 A Primeira Aula
5.1 Julio percebeu que tinha um grande desafio: ensinar algo que, de fato, não sabia; ele nunca prestara atenção em nenhuma aula, mesmo musculação ele só fazia cerca de meia hora por dia.
5.2 Juntou livros e suas parcas notas, preparou-se por uma semana e depois, ainda temeroso, foi ensinar Moema.
5.3 Além do medo, começou nervoso, mostrando mapas, nomes e conceitos. Pouco tempo depois Moema o interrompeu: —Continuo achando isso interessante, mas vamos mais devagar, sou uma plebéia, por sorte alfabetizada, e que trabalha no jardim.
5.4 Julio inspirou profundamente, concordou e recomeçou, agora com calma; Moema nem sempre entendia o que era explicado (deixava coisas passarem), mas estava realmente interessada e não interrompia muito, deixando a aula fluir.
5.5 Diferentemente, a aula de jardinagem foi essencialmente prática. Moema já avisara que era isto que ela conhecia do tema.
5.6 Logo estabeleceram uma rotina: 1h30min de Geopolítica, breve descanso (muitas vezes se deslocando ao jardim ou estufas), 1h30min de Jardinagem.
6 Cozinhas
6.1 Um dia, Júlio se dirigiu até a cozinha do refeitório e perguntou ao Chefe: — A comida daqui é bem nutritiva, mas quase não tem sabor; de tempero só sal. Por quê?
6.2 Chefe Chico explicou respeitosamente: —Sabia que uma hora Vossa Alteza viria aqui. Há um controle rígido de despesas. Garantem que ninguém passe fome, mas temperos são considerados supérfluos. Além disso, se fornecessem temperos, eu não saberia aproveitá-los corretamente.
—Entendo, disse o Príncipe.
6.3 Julio então voltou ao palácio e pediu ao seu tenente: —Leve-me à minha cozinha.
6.4 Na cozinha, o Príncipe pediu ao Chefe João que lhe apresentasse os integrantes da bateria, assim foi feito. Júlio pensou por alguns segundos, depois pediu que a Chefe de Assados e Grelhados, Maria, o acompanhasse até seu gabinete.
6.5 No gabinete Julio foi direto:
—Maria, tenho um pedido, não é uma ordem.
—Gostaria que você fosse trabalhar na Cozinha externa, dos servos. Lá eles não estão acostumados a usar temperos e você será Cochefe, junto com o Chefe Chico. Seu salário passará a ser igual ao do Chefe João. Aceita a proposta?
6.6 Maria pensou: sair da Cozinha do Príncipe seria uma queda de status, o novo salário ajudaria na criação de seus dois filhos e ficou claro que o Príncipe estava olhando com carinho a Cozinha Externa.
6.7 Maria aceitou, mas preocupada com essa história de cochefes pensou: "Não se coloca dois ursos no mesmo saco".
7 Dois ursos no mesmo saco
7.1 Logo pela manhã Julio acompanhou Maria até o refeitório externo.
7.2 Chamou o Chefe Chico e disse:
—Chefe Chico, esta é a Chefe Maria, ela vai trabalhar aqui.
—Ela vem aqui para dar sabor, vocês dois serão cochefes deste refeitório. Como serão cochefes, o salário de vocês será igual, igual ao do Chefe João. No orçamento do refeitório estou incluindo um extra para os temperos.
7.3 Chefe Chico percebeu que tinha que aceitar, mas assim que o Príncipe se afastou comentou:
—Não se coloca dois ursos no mesmo saco.
7.4 Maria deu uma risadinha e imediatamente se explicou:
—Ontem eu pensei exatamente a mesma coisa.
7.5 Esta profecia foi verdadeira: se Chico não dava sabor, Maria, que veio da cozinha principesca, não sabia preparar para tantas pessoas. O atrito entre os dois até foi diminuindo com o tempo, mas nunca acabou — nem quando os dois formaram uma família.
8 De volta ao caramanchão
8.1 Moema notara que nesta semana Júlio estava disperso e nervoso, mas hoje isto estava em nível estratosférico.
8.2 A aula de Geopolítica foi ruim; ele se perdia, trocava nomes de países e datas. Jardinagem no mesmo nível. Moema parou a aula e perguntou:
—O que está acontecendo? Qual o problema?
8.3 Júlio respirou fundo, tomou coragem e a levou até o caramanchão no jardim.
8.4 Lá, ainda sem conseguir falar, bebeu água e então disse, em voz baixa:
—Quero te pedir uma coisa... mas tenho muito medo... por causa do teu segredo... Não quero te ofender... quero continuar teu amigo... você é minha única amiga...
8.5 Moema piscou quando ele mencionou o segredo, mas já confiava nele e disse:
—Peça, no máximo vou negar, nunca quis ter amizade com um nobre ou príncipe e aqui estou.
8.6 —Me inaugure.
8.7 Moema ficou perplexa, não pelo pedido, mas porque Júlio era...
8.8 Depois de um breve momento, ela aceitou, mas deixou claro que não queria, de modo algum, deixar de ser plebeia — ouvira dizer de uma faxineira que inaugurou o filho de um Duque e depois virou Baronesa.
8.9 Moema então assumiu o comando: Consiga um quarto em local discreto em que não se possa ouvir gritos, aquecido, cama razoavelmente macia, numa mesa refeição matinal, sucos...
— Vou te inaugurar, mas o processo levará três noites.
9 A inauguração
9.1 Primeira noite
9.1.1 Depois da aula Moema deixou Julio guardando as ferramentas, dirigiu-se ao bangalô que ele conseguira.
9.1.2 Chegando lá tomou um longo banho quente, mas não relaxou: Será que vou conseguir? Será que meus traumas vão permitir inaugurar Julio? Ele não tem experiência, mas a minha experiência é pouca e ruim.
9.1.3 Ainda estava remoendo as dúvidas quando Julio chegou. Conduziu-o ao banheiro e banhou-o, ele banhou-a de novo.
9.1.4 Ela relaxou um pouco, ele por sua vez ficou tenso; mas as carícias comuns ajudaram.
9.1.5 Após o banho faram para cama ainda acariciando-se, mas Moema resolveu ser rápida. Ele estava a ponto de g*z4r, então pegou o m3mbr* dele e em poucos movimentos ele g*z*@ massivamente.
9.1.6 Dormiram, no meio da noite acordaram e comentaram sobre o ocorrido.
9.1.7 Julio disse: — O banho foi bom, mas pena que tirou teu perfume.
9.1.8 Moema demorou a entender que ele se referia ao cheiro do corpo suado dela.
9.2 A segunda noite
9.2.1 Moema improvisou uma aula de jardinagem em que pouco tocaram na terra.
9.2.2 Quando chegaram no bangalô um t1r*@ a roupa do outro e começaram a se tocar principalmente com a b*k. M*rd1skd4s, l4mb1d4s — ele se chafurdou nos sovacos cabeludos, e com a l1ng@4 fez uma massagem nos pés dela ; ela também pr*v*@ do corpo dele, deixando-o embevecido. No momento que achou adequado ela se dirigiu ao m3mbr* dele e logo ele encheu a b*k dela, ele quis um longo beijo assim provou do próprio s@m*.
9.3 A terceira noite
9.3.1 Começou com uma revisão das noites anteriores: toque e paladar.
9.3.2 Na hora h, Moema chegou a pensar em vir por c1m4 - ela teria mais controle para sair (seus traumas). No fim percebeu que confiava muito em Julio e que o p4p4i-m4m4e era o melhor para ele.
9.4 Outra inauguração
9.4.1 Depois das três noites, como é comum, Júlio queria mais e mais do que chamou de "brincadeira". Moema, firme, lembrou que ele tinha deveres.
9.4.2 Assim como as aulas, as brincadeiras ganharam uma rotina.
9.4.3 Uma noite, Moema começou a gritar e chorar; Júlio ficou apavorado. Quando voltou ao quase normal, ela explicou que ele, de certa forma, a tinha inaugurado. Com ele, ela até então sempre estivera preocupada para que a brincadeira fosse boa pra ele, mas agora relaxara e, pela primeira vez na vida, brincar foi um pr4z3r.
9.4.4 Depois disto foi a vez de Júlio lembrar Moema que brincar não poderia ser todos os dias.
10 A Mudanças Notadas
10.1 Impressionados com as mudanças no comportamento de Júlio, os professores foram apresentar seu relatório mensal ao Rei Julio IV e à Rainha Alice.
—Ele participa, faz perguntas pertinentes e demonstra interesse — relatou o professor de Geopolítica.
—Arrisca frases em Esperanto e demonstra confiança — acrescentou o professor.
—Ainda pisa os calos e tropeça nos passos, mas sorri e tenta acompanhar o ritmo — completou a professora de Dança.
10.2 A Rainha sorriu, olhando para o marido:
—Pisar nos calos! Sabemos a quem puxou — comentou, com diversão.
10.3 O Rei, conformado, aceita a alfinetada e voltou à situação:
—Isto é muito bom!
Mas não acredito em milagres, algo aconteceu e precisamos descobrir o quê.
Assim, pediu ao seu tenente que fosse investigar.
11 Atenta
11.1 Julio acordou às 6 da manhã, Moema saudou-o alegre e comentou:
—Que milagre! Você nunca acorda antes das 7 horas.
11.2—Tenho que ir a Pontiá, mas estarei de volta antes de anoitecer — respondeu Julio.
11.3—Fique atenta, esta viagem surgiu de repente, devem estar nos investigando.
11.4 —Ficarei, mas não fizemos nada de errado ou escondido, somos apenas discretos.
Julio beijou Moema e saiu.
11.5 De fato, ao final do lanche da manhã, o tenente do Rei, acompanhado de quatro guardas, surgiu no jardim, dirigiu-se ao grupo de jardineiros e disse:
—Serva Moema, venha comigo!
11.6 Não permitiram nem que se trocasse, nem que se limpasse.
11.7 Seguiram imediatamente à Torre de Audiências e lá a deixaram sozinha.
11.8 Enquanto aguardava, Moema, com seu uniforme de trabalho, em sandálias desgastadas e braços, mãos, pernas e pés terrosos, olhou a torre por dentro:
11.9 Dourado por todo o lugar, também muita púrpura; a cobertura ogival de 50 metros de altura era admirável. Havia grandes fogareiros que aqueciam, iluminavam e, principalmente, tornavam a torre ainda mais impressionante.
11.10 Cerca de 10 minutos depois, uma porta se abriu; entrou um lacaio e anunciou: —Suas Reais Majestades: Rei Julio IV e Rainha Alice.
11.11 Adentraram os Reis acompanhados de pequena comitiva.
11.12 Não estavam com coroas ou mantos, mas suas roupas de seda eram bem vistosas. Sentaram nos respectivos tronos, dispensaram todos os acompanhantes e ficaram a sós com Moema.
12 Interrogatório
12.1 O Rei Julio IV começou o interrogatório:
—Quem é você?
12.2 A jovem não se intimidou e respondeu:
—Moema é meu nome, cidadã deste Reino de Fontoura, serva, trabalhadora dos jardins de Vossas Majestades e exprostituta!
12.3 Pelo relatório do tenente, os Reis já sabiam disto, mas ainda assim ficaram espantados com a prontidão e crueza da declaração final.
12.4 O Rei continuou: —O que queres de nosso filho, o Príncipe Júlio? Por que se aproximou dele?
12.5 — Não quero nada, bem sei a distância que há entre nós e várias vezes lembrei-o disto.
—Não me aproximei do Príncipe, eu sempre procuro distância da nobreza e da realeza; quando ele me conheceu, pensei que fosse um mordomo do palácio.
12.6 — O que fizestes com ele? É evidente que ele mudou e mudou para melhor.
12.7 Moema contou das aulas de jardinagem e geopolítica.
12.8 A Rainha Alice perguntou: —Você o inaugurou?
13 Almoço
13.1 Não houve tempo para Moema responder, uma porta se abriu, entrou o Príncipe Júlio:
13.2 —Sim, me inaugurou!
13.3 E, em vez de massacrá-la com perguntas, deveriam agradecê-la:
13.4 —Vocês me ensinaram os meus deveres, e ela completa a lição, leva-me a cumprir com eles.
13.5 Depois disto o Rei falou:
13.6 —Diante disto esta conversa está encerrada.
13.7 —Vamos almoçar — e tua amiga está convidada.
13.8 Moema finalmente pôde se lavar; quanto ao vestuário, não havia o que fazer.
13.9 Foram servidas sopas, algumas frutas e beberam água.
13.10 O silêncio imperou; Julio e Moema pelos olhares se diziam: “Você se saiu bem, estou grata por vir e na hora certa, vamos aguardar pelo que vem agora”.
13.11 Terminado o almoço o Rei e o Príncipe foram conversar no escritório.
13.12 Quanto a Moema seguiu a Rainha Alice até os aposentos reais.
14 O presente
14.1 Conforto e luxo foi o que viu Moema, era tanta novidade que não reparou em nada em particular até que a Rainha acenou para uma aia.
14.2 Esta se dirigiu até uma mesinha sobre a qual via-se duas caixas de vidro com areia amarela.
14.3 Quando trouxe uma das caixas até as duas, a Rainha disse:
—Este é um presente para você, meio quilo de ouro, pela inauguração...
14.4 Ao ouvir isto Moema interrompeu a Rainha falando muito incomodada:
—Não quero, não sou prostituta!
14.5 A Rainha respondeu: —Meu filho encontrou uma joia raríssima que não quer o presente. Não é uma dádiva ofertada a uma prostituta é uma tradição desta família:
14.6 A quem inaugura um Príncipe ou um Rei, seja baronesa, seja princesa e, agora, seja serva merece o presente. A outra caixa que ficou sobre a mesa é a que eu ganhei. Use a tua como desejar, já compraram palacetes, vestidos etc., eu ainda tenho a minha intacta porque já era Rainha.
15 No escritório
15.1 Os Júlios sentaram-se em poltronas, o Rei perguntou: —O que você pensa em fazer com ela? O que você pensa em fazer?
15.2 — Confesso que já cogitei levemente casar-me com ela.
—Mas a única vez que comecei a falar deste caminho, ela, peremptoriamente, descartou isto. Seja lembrando meus deveres. Seja ressaltando a ojeriza que tem à nobreza e até a realeza.
15.3 E a conversa foi prosseguindo. Uma hora depois foram ao encontro das duas.
15.4 Moema aceitara trocar de roupa, estava usando um uniforme de aia, um modelo não mais usado. Ambas bebiam chá, Moema agora sentada à mesa com a Rainha Alice.
15.5 Juntaram-se a elas, o Príncipe Julio sentou bem junto de Moema e segurou sua mão.
15.6 — Senhorita Moema — começou o Rei — depois de conversar com meu filho tenho uma proposta, ouça, avalie, decida e saiba que tudo está aberto para negociação.
15.7 — Reitero o que já dissemos: sua presença junto a ele tem sido uma bênção e queremos que continue.
15.8 — Passe a estudar com o Príncipe não só Geopolítica e Jardinagem, mas todas as matérias e outras que desejar.
15.9 — Venha morar no Residencial dos Servos do Palácio — eu queria sugerir o Palácio dos Manacás, mas meu filho que te conhece sugeriu esta opção.
15.10 — Aceite ser Concubina do Príncipe e já me comprometo: estarás dispensada de ser elevada à viscondessa.
16 Mais aulas
16.1 Como os reis esperavam, o aprendizado de Julio melhorou ainda mais; exceto dança.
16.2 Por falar em aulas de dança, a professora ficou encantada pois finalmente introduziu danças plebeias no currículo.
16.3 Esperanto, como é comum, em pouco tempo já tinha domínio próximo ao da língua materna.
16.4 Uma aula que Moema pediu para si foi Botânica. Quando começou a trabalhar no jardim, isto era apenas o ganha-pão — poderia ser lavadeira —, com o tempo foi gostando, com Júlio uma tempestade, e agora queria se aprofundar.
17 A História de Moema
17.1 Júlio pegou delicadamente a mão de Moema e foram para o caramanchão.
17.2 — Amanhã vou para Mandacaru, tua terra. Venha junto, mas antes me conte tua História.
17.3 — Mandacaru é terra seca, difícil de viver, o povo canta "Só mandacaru resistiu tanta dor".
17.4 Um dia teve mais uma guerra entre Fontoura e o Serrazul.
17.5 Meus pais soltaram as cabras nos montes, enterraram em potes os cereais.
17.6 As tropas de Fontoura chegaram e requisitaram nossa pouca comida.
17.7 O General, um Duque, me arrastou para a sua tenda.
Lá... não foi guerra. Foi massacre:
Estourou meu Kb4ç*.
Arrebentou meu c@.
Me obrigou a provar seu Kr4lh*.
E tive que engolir sua p*rr4.
Pela manhã, jogou-me n@4 na praça.
Antes de sair, pegou a adaga e marcou meu rosto. Riu.
17.8 Confesso: fiquei feliz com a notícia da derrota de Fontoura.
Vieram as tropas de Serrazul. Mas não foi muito diferente.
Depois, pelos acordos, Mandacaru voltou para Fontoura.
17.9 Com tudo isso, a vida por lá conseguiu piorar.
17.10 Saí pela estrada, comendo calango.
Faminta, cheguei em outra vila.
Só consegui abrigo na luz vermelha.
17.11 O primeiro cliente foi um Conde.
Lambuzou como o Duque, só não me marcou.
Outros clientes plebeus vieram,
me usaram, alguns me bateram.
Uma semana depois fugi, jurando me matar antes de voltar pra lá.
17.12 — Cheguei à capital, um mundo novo.
A Torre de Audiências cumpre seus objetivos: impressiona.
17.13 — Procurei trabalho. Cheguei ao Palácio Real, ofereci ser lavadeira, ofereceram o jardim... o resto você já conhece.
17.14 Depois, Moema dormiu profundamente nos braços de Julio.
18 A Escola
18.1 Moema voltou de Mandacaru taciturna.
18.2 Alguns dias depois pediu para o Professor de Esperanto vir conversar com ela:
18.3 — Profesoro Ludoviko, mi volas konstrui grandan kaj bonegan lernejon en Mandacaru, ĝi uniĝos kortegan scion kun praktika sperto.
Mi deziras ke vi estu la estro, ĉu vi akceptas?
18.4 Além do Professor, Moema falava com engenheiros, arquitetos e outros profissionais.
18.5 O Professor já não tinha paz: reuniões com a Concubina, com estes profissionais, com professores de aulas cortesãs e professores de Mandacaru. Ficava cansado, mas não abandonaria este projeto sedutor.
18.6 No dia da abertura da escola o prédio impressionou mais do que muitos palácios, não pelo luxo, mas pela beleza e praticidade: projetado para garantir conforto ambiental no clima desértico de Mandacaru.
18.7 Depois da a Rainha Alice chamou-a para conversar:
— Você pagou isto com o teu presente?
— Sim! E como sobrou vou construir outra escola, desta vez junto ao lixão da Capital.
A Rainha se levantou, brevemente. Quando voltou, disse:
— Só duas escolas, por quê? Faça mais!
E entregou para Moema a sua caixa de vidro.
19 Caramanchão de novo
19.1 O caramanchão, para os dois, não era apenas um lugar de revelações, mas o lugar de revelações.
19.2 — Fontoura e Serrazul estão completando negociações, será anunciado amanhã. Meu irmão, Príncipe Bruno, irá até Safira, capital de Serrazul, para acompanhar até aqui a Princesa Njeri com quem deverei casar para selar o acordo.
19.3 Moema, como sempre, respondeu direto:
— Cumpra teu dever, não me envergonhe.
20 A Princesa Njeri
20.1 Um mês depois, no cais principal do porto de Fontoura, a atmosfera era de solenidade contida. Marinheiros, soldados reais e a corte aglomeravam-se. Moema estava lá, procurando esconder-se entre as demais concubinas e amantes - não queria afrontar a noiva e nem parecer que não concordava com o casamento.
20.2 O Rei Júlio IV e a Rainha Alice, trajando vestes de estado, mas sem as pesadas coroas, observavam o imponente navio de Serrazul atracar.
20.3 A passarela foi estendida. Primeiro desceu o Príncipe Bruno, com seu ar marcial e familiar, fazendo uma breve reverência aos pais. Seguiu-o a figura linda e graciosa da Princesa Njeri, envolta em véus leves das cores de sua casa, que desceu com olhar sereno e passos calculados.
20.4 O Rei adiantou-se, com um passo calmo e autoritário, e proferiu em Esperanto, sua voz clara ecoando no silêncio do cais:
— En nomo de la popolo kaj krono de Fontoura, ni bonvenigas Vian Reĝan Moŝton, Princinon Njeri de Serrazul. Via alveno marku la definitivan finon de misharmonio inter niaj nacioj kaj la komencon de longa epoko de paco kaj komuna prospero. Ĉi tiu lando nun estas ankaŭ via.
20.5 A Princesa Njeri inclinou a cabeça com precisão protocolar e respondeu na mesma língua, sua voz melodiosa carregada da suave entonação de Serrazul:
"Viaj Ekscelencoj, mi dankas vin pro via varma bonvenigo kaj afablaj vortoj. Mi akceptas kun humileco kaj espero la destinon, kiu unuigas niajn hejmojn. Ĉi tiu kuniĝo estu la fundamento, sur kiu ni konstruos pli fortan kaj pli prosperan estontecon por ĉiuj niaj infanoj."
20.6 Njeri e o Príncipe passaram a semana se conhecendo e percorrendo o Reino. Ao final do dia Julio ia ao encontro da concumbina, contar o que fizeram, comentar sobre o que poderiam fazer pelo bem do casamento etc.
21 A entrevista
21.1 Como era tradição, houve uma entrevista coletiva para apresentar oficialmente o futuro casal real. Jornalistas do reino e reinos vizinhos e cronistas da corte lotavam a Torre de Audiências.
21.2 Em sua declaração inicial, Júlio foi protocolar mas ressaltou a beleza e, ainda mais, a inteligência da Princesa, falando em tom formal mas sincero.
21.3 As palavras iniciais da Princesa também foram protocolares. Mas continuou, surpreendendo a todos:
— Durante esta semana comecei a conhecer este Reino, a conhecer o Príncipe. Ele sempre muito respeitoso, procurou ocultar; mas a verdade é que o coração do Príncipe pertence a uma reles plebeia: Moema, a Concubina.
— Eu fui criada para ser a número 1 e não posso aceitar ser a número 2 do número 1, mas se os reinos concordarem serei a número 1 do número 2.
21.4 Diante do choque geral, Moema e Bruno foram obrigados a participar da entrevista. O Rei, pálido mas contido, acenou para que se aproximassem.
21.5 Bruno foi breve mas deixou claro que pelo bem dos Reinos aceitaria casar com Njeri.
21.6 Ninguém ali antes nunca vira Moema tão nervosa. Tremendo visivelmente e gaguejando, falou de sua relação com Júlio, de que não aceitava ser nobre... Ao final, um pouco menos nervosa, fitou os jornalistas e disse:
— Vocês são jornalistas, vou roubar de vocês o furo: Eu já fui prostituta.
21.7 Depois de todas estas declarações não houve entrevista: era caos entre os jornalistas e caos na corte.
22 Uma análise da entrevista
22.1 Hoje, passados tantos anos, fica mais evidente a inteligência da Princesa Njeri naquela entrevista:
22.2 Ao denunciar publicamente Moema como "reles plebéia", Njeri executou uma jogada calculista — queimou Júlio perante a diplomacia internacional, sabendo que nenhuma princesa de sangue real aceitaria ser claramente colocada em segundo plano. Esta humilhação pública levou ao casamento de Júlio e Moema.
22.3 Mas sua verdadeira genialidade estava na segunda parte: ao oferecer-se para ser "a número 1 do número 2", Njeri não apenas manteve sua dignidade real como abriu caminho para sua realização pessoal. Aquelas palavras, que pareciam um absurdo protocolar, na verdade eram um código — ela e Bruno já estavam secretamente apaixonados desde a viagem de volta de Serrazul.
23 Negociações
23.1 No Reino de Fontoura rapidamente perceberam que para Júlio nunca haveria casamento dinástico — com secreta alegria o Rei e a Rainha aceitaram o casamento com Moema — esta por sua vez, só não aceitou ser nobre, princesa ou, no futuro, Rainha — seu título seria "Esposa do Príncipe".
23.2 Quanto à união de Bruno com Njeri isto foi acordado — mas o impasse foram as novas fronteiras — o próprio Rei Tendai VII de Serrazul veio negociar.
23.3 Enquanto isto — os quatro jovens passeavam por Fontoura — foram até Mandacaru e Njeri conheceu a escola e o povo de lá — nos dois reinos ninguém entendia a proximidade entre as duas.
23.4 As negociações continuavam — um dia os três Príncipes irromperam na sala de reuniões — Njeri tomou a palavra:
— Há centenas de anos nossos reinos guerreiam por estas terras — casamentos não deram solução definitiva — por que não criar um reino tampão?
23.5 Os dois reis perguntaram em coro:
— E quem vai garantir que esse reino não vai se aliar a um lado?
23.6 Príncipe Júlio e Príncipe Bruno responderam: "Um reino com dois Copríncipes — um indicado por Fontoura e outro por Serrazul"
23.7 E assim as negociações prosseguiram e surgiu oCoprincipado de Verdavojo — verde por ser o resultado de amarelo e azul.
23.8 Dias depois num jantar mais íntimo entre as duas famílias — felicitaram os Príncipes pela original solução — os três príncipes agradeceram mas revelaram que a ideia inicial fora de Moema.
23.9 O Rei Tendai VII ficou admirado e até com inveja por não poder contar com um assessor tão astuto.
23.10 Ainda durante o jantar — o Rei Júlio anunciou informalmente que escolhera para Copríncipe o Príncipe Bruno e o Rei Tendai completou que tivera ideia semelhante: Njeri seria a Coprincesa. O Príncipe Bruno tomou a palavra, agradeceu ao Pai e explicou que especialmente neste primeiro governo não seria bom que Verdavojo tivesse copríncipes com relação pessoal tão próxima e que ficaria feliz em ser "o número 1 da metade."
24 Os casamentos
24.1 Dois meses depois realizaram-se, na Torre de Audiências, os dois casamentos.
Reis, nobres e jornalistas do mundo inteiro para testemunhar tal assombro.
24.2 Moema e Njeri usavam vestidos parecidos — produzidos pelas costureiras e rendeiras de Mandacaru — um modelo típico da região mas em tecidos finos — a maior diferença entre as duas: Moema estava toda de branco inclusive as flores rendadas e Njeri tinha flores coloridas mais de acordo com a tradição desértica.
24.3 Antes de iniciar o cortejo Njeri pediu ao pai — em vez de me conduzir, conduza Moema. O professor Ludoviko que ia conduzir Moema conduzirá a mim.
24.4 O Rei espantado perguntou:
— Você tem certeza disso?
— Tenho, confie.
24.5 A cerimônia seguiu tranquila.
25 A burla
25.1 Ocorreram diversos bailes para celebrar — o primeiro foi na Embaixada de Serrazul
25.2 Quando chegaram os recém-casados o arauto anunciou:
— Suas Majestades Príncipe Bruno e Princesa Njeri.
— Suas Majestades Príncipe Júlio e Princesa Moema.
25.3 Moema ficou incomodada — mas isto não abalou a felicidade dela neste momento.
25.4 O Rei Tendai tomou a palavra e em vez de saudar os casais disse:
— Moema, querida, de última hora Njeri te enganou com um presente:
É tradição de Serrazul, muito antiga e há muito não usada:
o Rei só conduz ao casamento suas filhas e quando faz com outras esta desde então é Princesa de Serrazul.
— Mas já mandei providenciar decreto e esta foi a primeira e última vez que fostes anunciada como Princesa.
26 Julio V
26.1 Todos cantavam o conto de fadas de Julio e Moema, mas uma semana depois veio a fatalidade: um aneurisma cerebral fulminante levou o Rei.
26.2 Em Fontoura a transição é imediata e as cerimônias ocorrem com brevidade.
26.3 O funeral foi na semana seguinte. Pela primeira vez os Reis de Serrazul não mandaram representantes: Tendai e Dandara comparecerem pessoalmente ao funeral.
26.4 Mais trinta dias e ocorreu a coroação. Os mestres do protocolo tiveram muito trabalho: a situação de Moema, bem estabelecida no acordo pré-nupcial, forçava-os a estabelecer novas tradições.
26.5 Julio V foi coroado e entronizado. Moema acompanhou-o, mas não foi coroada e, em lugar do trono, havia uma poltrona agradável para ela sentar ao lado do Rei, seu esposo.
26.6 Só depois Julio V pôde abolir a cerimônia do beija-pés: os nobres em fila, conforme sua posição, do menor ao maior, beijam simbolicamente os pés do Rei e da Rainha; isto representava a submissão ao novo Rei. A Esposa do Rei ficou ao seu lado, mas ninguém beijava seus pés.
26.7 Njeri acompanhou Bruno nesta cerimônia, mas como era Princesa de outro reino, estava dispensada. Contudo, após Bruno completar a sua submissão, Njeri dirigiu-se somente a Moema, dizendo: "Permita-me, é necessário".
26.8 A Esposa do Rei consentiu, recebeu o beija-pés e imediatamente solicitou que colocassem duas cadeiras ao lado de sua poltrona. Convidou Bruno a sentar-se e ordenou à Princesa que se sentasse e ficasse parada. Então, Moema realizou com Njeri o beija-pés.
26.9 As duas se levantaram e se abraçaram longamente - até ficou cômico pela diferença de altura, mas todos aplaudiram.
27 O jubileu
27.1 Vinte e cinco anos depois muita coisa aconteceu no continente: o modelo de escolas mandacaru foi adotado por muitos países. Os nobres pleiteavam inscrever seus filhos nelas: perceberam que dali é que viria a direção política, tecnológica e artística do país. No entrono das escolas foram criadas faculdades e as duas primeiras geraram universidades.
27.2 Os preparos para os festejos do Jubileu foram muito cuidados: uma Feira Continental, bailes e outros rapapés.
27.3 O Rei Julio V mantinha constantes reuniões com todas as lideranças da Cãmara do Povo para que fosse não uma celebração de triunfo mas um convite à trabalharem juntos, seja em Fontoura, seja entre os diversos reinos e repúblicas.
27.4 O Príncipe Herdeiro, Eumeu, participava destas reuniões. Mas Moema não, o que até gerou boatos.
27.5 Na abertura dos festejos, perante a audiência, do povo, dos nobres e de alta representação de todos os países do continente e de de outras terras; Julio V discursou (resumido):
27.6 Senhoras e Senhores, há três anos meu filho, o Príncipe Eumeu veio me questionar. O incrível que era o mesmo que era o mesmo questionamento que eu fiz vinte e cinco anos atrás, mas diante da súbita morte de meu pai, Julio IV, este evento fez com que eu deixasse de lado estes questionamento.
27.7 Mas qual era este questionamento? (de Pai e Filho)
27.8 Ao estudar a História das Casas dinásticas e a História das nações é perceptível que todos tem altos e baixos: Muitos reinados/governos medíocres (70%) alguns bons e até ótimos (10%), e um número um maior de reinados/governos ruins ou péssimos (20%).
27.9 O diferencial que é que muitas vezes um Rei ruim ou péssimo arrasta o país por anos, podendo levar à ruína.
27.10 Repúblicas não estão livres de governos ruins, mas geralmente duram menos e conseguem ter um pouco menos de governos ruins.
27.11 Ao nos debruçarmos sobre esta questão Eumeu apresentou uma possível solução. Entrei em contato com as lideranças da Câmara do Povo e hoje neste dia de festa anuncio para vocês:
27.12 Fontoura será uma República!
27.13 Em seis meses haverá uma eleição geral para uma Câmara do Povo Constituinte.
27.14 E meu ultimo ato (ou de meu filho) como Rei será assinar a aceitação e submissão a esta nova constituição.
27.15 Logo após a instalação da Câmara do Povo Constituinte, Eumeu entrou na Faculdade de Enfermagem, pois toda a família real queria influenciar o mínimo (ou nada) na redação da nova carta magna e trabalhar com saúde era a real vocação deste Príncipe.
27.16 Cento e cinquenta anos após este último jubileu os reinados foram sumindo: vários seguindo o exemplo, outros depois de reinados desastrosos. Como Julio anunciara, as Repúblicas não eram garantia de não haver governos ruins, mas uma fórmula para abreviar o mal. Ironicamente a única monarquia ainda existente é o Coprincipado de Verdavojo, seja porque não é hereditária, seja porque "dois ursos estão colocados no mesmo cesto" e é difícil que os dois copríncpes ao mesmo tempo sejam ruins e quando são um neutraliza o outro.