2025-09-29

A tempestade

A tempestade / Adolphe Kirstein. 1872.
 


Tenho que dormir, há três noites que durmo mal.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
Deito e fico correndo atrás do perfume dela.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
É uma serva, labuta no jardim, mas exala...
E esta tempestade só dificulta as coisas.
É baixinha, mas uma trabalhadora forte.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
A pele dela é um caramelo, será doce?
E esta tempestade só dificulta as coisas.
Os pequenos pés lembram pãezinhos.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
No único toque senti as mãos calejadas.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
Seus seios me parecem melões, serão?
E esta tempestade só dificulta as coisas.
O pescoço uma torre inexpugnável.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
Os lábios uma taça de vinho.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
Os olhos são dois potes de mel.
As sobrancelhas duas pontes poderosas.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
Os cabelos um mar negro e ondulado.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
A face lisa, só atravessada por uma cicatriz.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
Essa cicatriz consegue ser bonita.
E esta tempestade só dificulta as coisas.
Deito e fico correndo atrás do perfume dela.
E esta tempestade só dificulta as coisas.

Chega! Amanhã vou procurá-la!

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