1 Lucas tinha vinte anos e nunca havia trabalhado um dia na vida. Filho de empresário, morava com a mãe numa casa grande em condomínio fechado. Cursava Administração numa faculdade particular cara, dirigia um carro importado que ganhou no aniversário de dezoito anos. Um mauricinho — mimado, sem noção do mundo real, vivendo numa bolha de privilégio e pelo próprio prazer.
2 Tinha namorada, a Larissa, filha de amigos da família. Patricinha como ele, loira, sempre impecável, cheirando a perfume caro. Transavam no apartamento que os pais dela tinham comprado, sempre tudo certinho, programado. Ela não era a primeira — Larissa era a namorada que a mãe aprovava.
3 Bianca tinha vinte anos e dois filhos de pais diferentes. A Maria, de quatro anos, e o Pedro, de dois. Tinha engravidado aos dezesseis do primeiro namorado — foi acidente. Ele foi morto numa operação da polícia. Começou a trabalhar como empregada doméstica aos dezessete, depois de largar a escola no primeiro ano do ensino médio. Então conheceu outro cara, engravidou aos dezoito, o namorado sumiu antes do Pedro nascer.
4 Fazia o que podia pra sustentar os filhos que ficavam com a mãe dela durante o dia.
5 Ela começou a trabalhar na casa da mãe de Lucas há dois meses. Dona Marlene era divorciada e exigente, mas pagava razoável e tratava bem — melhor que muitas patroas.
6 Lucas mal notava a presença dela no começo. Bianca era apenas mais uma empregada, alguém que limpava a casa, lavava roupa, preparava almoço. Ele passava por ela sem dizer bom dia, deixava toalha molhada no chão, copos sujos espalhados pela casa — não por maldade, mas por ser sem noção —. Às vezes Larissa estava lá, e elas mal trocavam olhares (mundos completamente diferentes).
7 Foi numa tarde de calor intenso que Lucas realmente a viu pela primeira vez. Larissa tinha viajado com a família pro fim de semana. Bianca estava limpando o terraço, suada depois de horas sob o sol forte. Usava um uniforme simples, o cabelo estava preso num rabo de cavalo molhado de transpiração.
8 Lucas saiu pra área da piscina e a viu de costas, esfregando o chão. E pela primeira vez, realmente reparou — ela não era invisível. Era uma mulher. Da idade dele. Mulata, pele brilhando de suor. Real, trabalhando pesado, suando.
9 — Você quer água? — ele perguntou, se aproximando.
10 Bianca virou, surpresa. Era a primeira vez que ele falava direito com ela.
11 — Quero, obrigada — ela disse, aceitando o copo. Sorriu — um sorriso simpático, natural, sem artifício.
12 — Você tem a minha idade, né? — ele perguntou.
13 — Vinte anos — ela disse, ainda sorrindo.
14 Nos dias seguintes Lucas começou a reparar mais. Como ela trabalhava pesado, como era simpática mesmo cansada. Tudo nela era diferente de Larissa, sempre perfumada, maquiada.
15 Lucas começou a puxar conversa — queria fuder a empregada mulata. Perguntas simples que foram ficando mais pessoais. Bianca era reservada mas aos poucos se abria. E ela também começou a reparar nele — não como patrão, mas como homem. Ele era bonito, atencioso quando queria, diferente dos caras da quebrada que ela conhecia, um mauricinho um pouco diferente dos mauricinhos.
16 — Por que você fica me olhando? — ela perguntou um dia, direta.
17 — Porque você me interessa — ele admitiu.
18 — Lucas, você tem namorada — ela disse. — Vi ela aqui várias vezes.
19 — Eu sei — ele disse. — Mas não consigo parar de pensar em você.
20 — Isso é errado — ela disse, mas o coração acelerou. — Eu preciso desse emprego.
21 — Só conversar — ele disse. — Prometo.
22 Mas não foi só conversar. O tesão cresceu. Olhares que duravam mais, proximidade que não era acidental. Lucas cheio de vontade, aos poucos passou a vê-la como pessoa, não só a empregada gostosa. Bianca sabia que era burrice, que ia acabar mal, mas havia algo no jeito como ele falava que mexeu com ela. E ela, que há anos não se sentia desejada de verdade, começou a achar Lucas interessante não só pelo corpo bonito ou pela atenção — mas pelo jeito como ele parecia genuinamente curioso sobre ela, sobre sua vida. Foi se iludindo, achando que talvez esse mauricinho fosse diferente.
23 Aconteceu numa tarde que a mãe de Lucas viajou a trabalho. Bianca estava terminando de limpar quando Lucas entrou na cozinha.
24 — Bianca — ele disse.
25 Ela sabia o que ia acontecer. Podia ter parado. Devia ter parado. Mas não parou.
26 Eles se beijaram. Foi intenso, diferente de tudo que ambos já tinham sentido. Mas quando as mãos dele começaram a ir mais longe, ela parou.
27 — Não aqui — ela disse. — Não assim, correndo. Sua mãe pode voltar.
28 — Ela só volta sexta-feira, mas você tem razão: aqui não, vou te esperar no meu quarto.
29 — Amanhã — ela concordou.
30 No dia seguinte, quando Bianca chegou Lucas tinha arrumado o quarto. Nada exagerado — tinha tirado a roupa suja do chão, arrumado a cama. Pequenos gestos que mostravam que ele tinha pensado nela, que queria que ela ficasse confortável ali.
31 — Você arrumou o quarto — ela disse.
32 — Arrumei — ele admitiu, sem jeito. — Achei que... sei lá, que você merecia.
33 Eles transaram ali, na cama dele. Foi diferente, mais devagar, mais real. Depois ficaram deitados, suados, sem falar nada por um tempo.
34 Lucas terminou com Larissa. E ele e Bianca continuaram se encontrando. Escondido, sempre quando a mãe dele não estava. Três meses de encontros furtivos, sexo intenso, uma conexão que crescia apesar de tudo ser errado.
35 Lucas estava obcecado. Pela forma como ela era completamente diferente de qualquer mulher que ele já tinha conhecido; mas principalmente pelo ser humano vivo, muito mais vivo do que ele. Bianca sabia que estava se iludindo, que mauricinho usa empregada, mas não conseguia parar.
36 Até que ela atrasou. Fez o teste. Positivo.
37 Bianca chorou a noite inteira antes de contar pra ele.
38 — Eu tô grávida — ela disse no dia seguinte.
39 Lucas sentiu o chão sumir.
40 — Tem certeza?
41 — Fiz três testes. Todos positivos.
42 — Porra — ele passou a mão no cabelo.
43 — Eu sei — ela disse. — Eu fui burra...
44 Ele interrompeu: — A gente foi burro. Três meses transando nem sempre com camisinha...
45 — O que você vai fazer? — ele perguntou, tentando processar.
46 — Não sei ainda — ela disse, seca. Não ia chorar na frente dele. — Mas você não precisa se preocupar. Eu me viro.
47 — Como assim?
48 — Lucas, seus pais vão me pagar pra sumir. Pra fazer aborto ou ir pra longe e ter o bebê em outro lugar. É o que gente rica faz, né? Eu sei como funciona.
49 — Não — ele disse. — Eu não quero isso.
50 — Você não quer o quê? — ela perguntou, amarga. — Pagar o aborto ou me mandar embora?
51 — Nenhum dos dois — ele disse. — Eu... eu quero ficar. Com você. Com o bebê.
52 Bianca riu sem humor.
53 — Você tá louco? Você tem vinte anos, nunca trabalhou, vive de mesada.
54 — Então eu vou trabalhar — ele disse.
55 — Ah é? — ela cruzou os braços. — E seus pais? Seu pai vai aceitar o filho dele com a empregada?
56 Aí ele teve medo mas rapidamente disse: — Não sei — ele admitiu. — Mas eu vou assumir. Bianca, isso não é só sexo... Eu realmente estou apaixonado por você.
57 — Você se apaixonou pela fantasia — ela disse. — Pela empregada exótica. Quando a realidade bater — dois filhos pequenos, apartamento de pobre, conta apertada — você vai cair fora.
58 — Não vou — ele disse.
59 — Todo mundo diz isso — ela respondeu, pensando nos pais dos filhos dela. — Até ir embora.
60 A conversa com a mãe foi pior do que Lucas imaginou.
61 — Você engravidou a Bianca?! — dona Marlene gritou. — Você é burro ou irresponsável?
62 — Os dois — Lucas admitiu. — Mas vou assumir.
63 — Assumir? — ela riu, amarga. — Você nunca trabalhou! Não sabe fazer nada!
64 — Então me ensina. Pede pro pai me colocar pra trabalhar na empresa dele.
65 — E a faculdade?
66 — Vou trancar — Lucas disse. — Por enquanto. Mas volto. Depois.
67 — Pois peça você. Duvido que ele vá ajudar. Aposto que nisto eu e teu pai concordamos: não apoiar essa loucura.
68 Lucas ligou pro pai. A conversa foi quase tão dura quanto com a mãe. Mas o pai aceitou.
69 — Você quer trabalhar? Vou te colocar no almoxarifado da fábrica — o pai disse pelo telefone. — Salário mínimo. Sem mordomia.
70 Então dona Marlene chamou Bianca na sala. A conversa não foi dura, foi cruel.
71 — Você tá demitida — dona Marlene disse, a voz cortante. — Mas vou pagar três meses pra não dizerem que sou má.
72 — Eu entendo, senhora — Bianca disse, engolindo o choro.
73 — Entende? — Marlene deu uma risada amarga. — Você sabia exatamente o que estava fazendo, não sabia? Menina esperta. Dois filhos já, sem pai nenhum por perto, aí vem trabalhar aqui e de repente tá grávida do meu filho. Que coincidência, né?
74 — Não foi assim... — Bianca disse, a voz tremendo.
75 — Ah não? — Marlene se inclinou pra frente. — Então me explica. Como é que uma empregada doméstica de vinte anos, com dois filhos, sem estudo, sem nada, acaba grávida do patrão rico? Você acha que eu sou idiota?
76 — Eu não planejei isso — Bianca insistiu, lágrimas começando a cair.
77 — Claro que não — Marlene zombou. — Nenhuma de vocês planeja. Mas sempre acontece, não é? E agora meu filho idiota acha que vai brincar de casinha com você. Ele não tem noção do que é criar filho, de pagar conta. Você tem. Você sabe exatamente o que está fazendo.
78 — Eu vou ter esse bebê — Bianca disse, a voz firme apesar das lágrimas. — Com ou sem ele. Não preciso da sua família. Eu já criei dois sozinha, crio mais um.
79 — Ah, vai mesmo? — Marlene riu, cruel. — E quando meu filho cansar? Porque ele vai cansar, pode ter certeza. Ele não aguenta a realidade. Aí você fica com três filhos de pais diferentes, mas agora com uma boa pensão. Parabéns. Que futuro brilhante.
80 Bianca não respondeu. Apenas pegou a bolsa e saiu, as palavras de Marlene ecoando na cabeça.
81 Lucas vendeu o carro — aquele carro importado que era seu orgulho — e usou o dinheiro pra alugar um apartamento pequeno num bairro popular e ter uma reserva.
82 Bianca e a mãe dela, dona Conceição, moravam num barraco pequeno na favela. Quando Lucas alugou o apartamento, a quase sogra foi junto e ia ajudar com as crianças.
83 Maria e Pedro estranharam tudo — apartamento novo, um cara estranho morando com eles.
84 — Quem é você? — Maria perguntou, desconfiada.
85 — Sou o Lucas. Vou morar com vocês agora.
86 — Por quê?
87 — Porque eu gosto da sua mãe. E ela vai ter um bebê. Nosso bebê. Vamos ser uma família, vamos cuidar de todo mundo.
88 — O outro papai foi embora — ela disse, os olhos já aprendendo a não confiar. — Você vai embora também?
89 — Não vou, prometo: Eu fico.
90 Dona Conceição ficou olhando, esperando pra ver até quando o mauricinho ia aguentar a realidade.
91 Os meses foram brutais. Lucas acordava às cinco da manhã, pegava ônibus lotado (o dinheiro do carro vendido era reserva de emergência, não pra torrar), trabalhava oito horas no chão da fábrica, voltava pra casa destruído. Bianca grávida, enjoada, cuidando de duas crianças pequenas. Dona Conceição ajudava mas também tinha seus problemas de saúde.
92 Seis meses de gravidez. Bianca sentada no sofá, os pés inchados no colo de Lucas.
93 — Você se arrepende? — ela perguntou.
94 — Do quê?
95 — De tudo. De ter me comido, de eu ter engravidado, de ter largado sua vida.
96 — Eu me arrependo de ter sido irresponsável — ele disse. — De não ter usado camisinha, de não ter pensado. Mas não me arrependo de você e de nossa família.
97 — No começo — ele continuou, hesitante — era só tesão. Tara pela empregada. Pelo jeito diferente. Eu queria te fuder e pronto. Mas quando comecei a conversar com você, a te conhecer de verdade... você deixou de ser só a empregada gostosa. Virou a Bianca. A mulher que me fez ver que eu não sabia nada da vida. A mulher por quem eu me apaixonei.
98 Bianca tinha lágrimas nos olhos.
99 — Você inteira — ele disse. — Real, trabalhadora, espirituosa. Minha gata borralheira.
100 — Gata borralheira? Que merda de elogio é esse? Se eu sou a gata borralheira, você é quem?
101 — Sou o sapo que a gata beijou e ele está sofrendo pra virar gente — Lucas disse, e os dois riram.
102 Aos sete meses de gravidez, numa manhã de sexta-feira, Bianca sentiu uma dor forte. Diferente das outras. Chamou Lucas no trabalho, dona Conceição levou ela pro hospital.
103 Quando Lucas chegou, o médico já tinha dado a notícia. O bebê tinha morrido. Aborto espontâneo. Essas coisas acontecem, disseram. Ninguém tem culpa.
104 Bianca ficou três dias no hospital. Lucas não saiu de perto. Ela chorava sem parar, ele chorava junto. Tinham escolhido nome, comprado roupinha com o pouco dinheiro que tinham. Ana. A menina ia se chamar Ana.
105 — A culpa é minha — Bianca disse, a voz quebrada. — Trabalhei demais, me esforcei demais...
106 — Não é — Lucas disse, segurando a mão dela. — O médico disse que não é. Essas coisas acontecem.
107 — Mas eu queria tanto essa menina — ela chorou. — Nossa menina.
108 — Eu também — ele disse, as lágrimas descendo.
109 Voltaram pra casa sem bebê. O apartamento tinha o berço montado, as roupinhas lavadas. Dona Conceição guardou tudo, sem dizer nada. Maria e Pedro perceberam que algo estava errado, mas eram pequenos demais pra entender.
110 Os meses seguintes foram os piores. Bianca entrou em depressão. Lucas tentava ajudar mas não sabia como. Trabalhava, voltava, ela estava na cama. Dona Conceição cuidava das crianças, da casa, de tudo.
111 — Eu não consigo — Bianca disse uma noite. — Não consigo levantar, não consigo nada.
112 — Eu sei — Lucas disse. — Mas eu tô aqui. A gente passa por isso junto.
113 Lucas convenceu Bianca a ir num psiquiatra do SUS. Demorou, mas aos poucos ela foi melhorando. Demorou mas foi aprendendo a viver com a dor.
114 Quando a notícia do aborto chegou a Marlene, ela ficou radiante. Mandou pintar o quarto de Lucas, comprou um som novo, reformou a casa. Era a celebração da volta do filho à vida normal.
115 Marcos, no fundo, esperava que Lucas fosse embora. Sem bebê, sem razão pra ficar, pensava. Dona Conceição também. E até Bianca, nos momentos mais escuros da depressão, esperava que ele caísse fora — porque seria mais fácil não ter esperança nenhuma do que ter e perder de novo.
116 Mas Lucas ficou. Não falou nada grandioso, não fez promessas. Só ficou. Trabalhando na fábrica, voltando pro apartamento, cuidando de Bianca, ajudando com Maria e Pedro. Como se não houvesse outro lugar onde ele pudesse estar.
117 — Você ainda quer ficar comigo? — ela perguntou, seis meses depois do aborto. — Depois de tudo isso?
118 — Bianca — ele disse, pegando o rosto dela. — Eu te amo. Não é porque a gente perdeu a Ana que eu vou te perder também.
119 Ela abraçou ele e chorou. Mas dessa vez foi diferente. Foi um choro de quem estava começando a se curar.
120 Um ano e meio depois do aborto, no escritório da fábrica, Marcos fez uma proposta.
121 — Volta pra faculdade — o pai disse. — De noite. Eu pago.
122 — Mas não vou fazer Administração — Lucas disse. — Odeio aquela merda.
123 — Então faz o que você gosta — o pai disse, surpreendendo ele.
124 — Gastronomia — Lucas disse. — Eu comecei a fazer comida em casa, Bianca e dona Conceição me ensinaram e... gostei.
125 — Gastronomia? — o pai fez careta, mas reconheceu que era a cara do novo Lucas. — Tá bom. Eu pago. Mas você continua trabalhando.
126 E Lucas voltou a estudar. Gastronomia à noite, trabalho na cozinha da fábrica de dia. Exausto sempre, mas com propósito.
127 Bianca também. Ela terminou o ensino médio pelo EJA, à noite, enquanto Lucas cuidava das crianças. Depois entrou em Enfermagem numa faculdade pública.
128 Era correria. Um dia Bianca comentou enquanto preparava café:
129 — Nós dois estudando à noite, dona Conceição cuidando das crianças. Virou uma loucura.
130 — Mas tá dando certo — Lucas disse.
131 Quatro anos depois, Lucas estava se formando em Gastronomia. Bianca estava no terceiro ano de Enfermagem. Maria tinha oito, Pedro seis. Dona Conceição ainda morava com eles, agora num apartamento um pouco maior que eles tinham conseguido financiar.
132 O pai de Lucas foi na formatura. A mãe não apareceu.
133 — Você virou homem — o pai disse depois. — De verdade.
134 — Demorei, sofri — Lucas admitiu. — Mas cheguei lá, também graças à minha família. E você ajudou.
135 Fim de expediente. Lucas chegou do restaurante, Bianca voltou do estágio no hospital. Caíram no sofá, destruídos.
136 — A gente tá fodido de cansaço — ela disse.
137 — Todo dia — ele concordou.
138 — A gente fodeu tudo no começo — ela disse. — Irresponsáveis, burros.
139 — Fodemos — ele concordou. — Mas consertamos. Juntos. Você, eu, as crianças, até a minha cobra, digo minha sogra.
140 Bianca deu um tapa leve no braço dele, rindo.
141 — Respeita minha mãe. Se tua sogra é uma cobra, o que é a minha sogra?
142 — A tua sogra? A tua sogra é uma Medusa que quase me petrificou num mauricinho.
143 — Te amo — ela disse.
144 — Te amo — ele respondeu.
145 E era verdade. Dois jovens de vinte que foderam tudo e tiveram que crescer na porrada. Ele, o mauricinho que virou trabalhador e cozinheiro. Ela, a mãe solo que arriscou confiar de novo.
146 Dois filhos (agora Lucas era legalmente o pai dos dois), apartamento financiado, contas sempre apertadas. Mas com estudo, trabalho, propósito. Real, honesto, construído no suor.
147 E absolutamente deles.

